Imposto da Bolsa

Isenção de R$ 20 mil em ações: como funciona e o que entra no limite

Isenção de R$ 20 mil · publicado em 2 de outubro de 2026

Resumo rápido

  • Se a soma das vendas de ações no mês, em todas as corretoras, ficar em até R$ 20.000,00, o lucro dessas vendas é isento de IR.
  • O limite é sobre o valor vendido, não sobre o lucro.
  • Vale só para ações no mercado à vista em operações comuns (swing trade). FIIs, ETFs, BDRs, opções e day trade não têm a isenção.
  • Passou de R$ 20 mil, nem que seja por um centavo: o lucro do mês inteiro paga 15%.

A isenção de R$ 20 mil é o benefício fiscal mais útil para o pequeno investidor em ações — e também o mais mal entendido. Muita gente acha que pode lucrar até R$ 20 mil sem pagar imposto, ou que o limite vale para qualquer coisa negociada na bolsa. Nenhuma das duas coisas é verdade. Este guia explica a regra do jeito que a Receita Federal aplica.

De onde vem a isenção

A regra está no artigo 3º, inciso I, da Lei 11.033/2004, regulamentada pela Instrução Normativa RFB 1.585/2015. Ela diz que são isentos os ganhos líquidos de pessoa física em operações no mercado à vista de ações em bolsa quando o total das alienações (vendas) no mês for igual ou inferior a R$ 20.000,00.

Repare em três detalhes da redação: "pessoa física", "mercado à vista de ações" e "total das alienações no mês". Cada um deles derruba um mito.

O limite é sobre o valor vendido, não sobre o lucro

Esse é o erro número um. O que você precisa somar é o valor bruto de todas as vendas de ações feitas no mês — quantidade vendida × preço de venda.

Exemplo: você comprou 1.000 ações a R$ 15 (R$ 15.000) e vendeu todas a R$ 22 (R$ 22.000). Seu lucro foi de R$ 7.000 — bem abaixo de R$ 20 mil. Mas o valor vendido foi R$ 22.000, acima do limite. Resultado: você paga 15% sobre os R$ 7.000, ou seja, R$ 1.050.

Se tivesse vendido 900 ações em um mês (R$ 19.800) e as outras 100 no mês seguinte (R$ 2.200), os dois meses ficariam isentos e o imposto seria zero.

Esse segundo cenário mostra por que vale a pena controlar o total do mês antes de clicar em "vender": às vezes, esperar alguns dias para a virada do mês economiza centenas de reais.

Quanto você ainda pode vender este mês sem pagar IR? Registre suas vendas na calculadora gratuita: ela soma o mês, avisa antes de passar dos R$ 20 mil e estima o imposto.
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O que entra e o que não entra na soma

Ativo / operaçãoEntra nos R$ 20 mil?Tem isenção?Alíquota sobre o lucro
Ações (swing trade, mercado à vista)SimSim, se o total do mês ≤ R$ 20 mil15%
Day trade (compra e venda no mesmo dia)NãoNão20%
Fundos imobiliários (FIIs)NãoNão (o lucro na venda é tributado)20%
ETFs de açõesNãoNão15%
BDRsNãoNão15%
Opções, termo e futurosNãoNão15%

Ou seja: se no mesmo mês você vendeu R$ 15 mil em ações e R$ 30 mil em cotas de FII, as ações continuam isentas (o FII não entra na conta das ações), mas o lucro do FII é tributado normalmente em 20%.

Todas as corretoras somam juntas

O limite é por CPF, não por corretora. Se você vendeu R$ 12 mil na corretora A e R$ 10 mil na corretora B no mesmo mês, o total é R$ 22 mil e a isenção se perde. A Receita cruza as informações das corretoras, então dividir as vendas entre contas não resolve.

Passou do limite: o lucro do mês inteiro é tributado

Não existe "isenção até R$ 20 mil e imposto sobre o excedente". Ao ultrapassar o limite, todo o lucro obtido com ações naquele mês vira base de cálculo do IR de 15%. Veja o passo a passo em vendi mais de R$ 20 mil em ações: e agora?.

A boa notícia é que, se você tiver prejuízo acumulado de meses anteriores, ele é descontado antes do cálculo — e o imposto pode até zerar.

Isento não quer dizer "não declarar"

Mesmo isento, o lucro precisa aparecer na declaração anual do imposto de renda, na ficha de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis (na linha de ganhos líquidos em operações no mercado à vista de ações com vendas até R$ 20 mil). E as ações que você ainda tem em 31 de dezembro vão em Bens e Direitos, pelo custo de compra.

Erros comuns

  • Somar o lucro em vez do valor vendido. O limite é sobre as vendas.
  • Esquecer outra corretora. O limite é por CPF.
  • Achar que FII, ETF ou BDR entram na isenção. Não entram.
  • Considerar a data errada. Vale a data do pregão em que a venda foi feita (a data da nota de corretagem), não a data em que o dinheiro caiu na conta.
  • Ignorar o prejuízo. Prejuízo em ações não some: ele fica guardado para abater lucro tributável no futuro.

Perguntas frequentes

Se eu vender exatamente R$ 20.000,00, fico isento?

Sim. A lei fala em vendas "iguais ou inferiores" a R$ 20 mil. A partir de R$ 20.000,01, o lucro do mês inteiro é tributado.

A isenção vale para day trade?

Não. Lucro em day trade é sempre tributado em 20%, qualquer que seja o valor vendido.

Vendi com prejuízo e o total passou de R$ 20 mil. Pago imposto?

Não. Se o resultado do mês com ações foi prejuízo, não há imposto. Esse prejuízo fica acumulado para compensar lucros tributáveis futuros.

Os custos da corretora contam no valor vendido?

Na prática, o controle é feito pelo valor bruto das vendas (quantidade × preço). Os custos operacionais entram no cálculo do lucro, reduzindo a base do imposto quando ele é devido.